Bloqueio Criativo: Como lidar?

Texto por Letícia Mirelly e Thaís Coelho. Arte por Luiza Dantas.

“E se eu falar que não faço a mínima ideia do que escrever aqui? Sim, caros leitores, não surge uma ideia sequer do que eu poderia falar para vocês sobre bloqueio criativo, é como se minha mente literalmente estivesse travada! É óbvio que eu adoraria escrever algo, mas não surge nenhuma luz criativa ao ponto de falar ‘eureka!’.”

Mas, espera aí! É exatamente isso o temido bloqueio criativo: a fase em que parece que somos incapazes de criar e gerar ideias, na qual ficamos distraídos e, sem nenhuma explicação evidente, não conseguimos criar nada. Pelo contrário do que muitos pensam, esse problema não atinge apenas áreas de redação, artes, design ou música. Afinal, é necessário um processo de criação em diversas áreas, inclusive no mundo dos negócios.

Em busca do “eureka!”

A palavra “eureka” ficou mundialmente famosa por ter sido supostamente pronunciada pelo cientista grego Arquimedes (287 a.C. – 212 a.C.), quando este encontrou a resposta para o dilema apresentado pelo rei Hierão: qual seria o volume de ouro em sua coroa. Ao ficar pensando sobre isso enquanto se banhava, Arquimedes gritou “eureka!” ao se dar conta de que quando ele entrava na banheira, o nível da água subia. Logo, percebeu que ao colocar a coroa na água, poderia medir o deslocamento do líquido e, assim, obter o volume do objeto.

Fonte: Ted

Em um processo de criação, é fundamental a busca de referências e uma apuração sobre o assunto em questão antes de alcançar o momento “eureka”. Isso porque todo criador depende da sua bagagem cultural e de seu repertório, construído com todas as experiências e conteúdos consumidos durante a vida.

Seu cérebro é um Pac-Man

Já parou pra pensar que a apuração e busca por referências nada mais é que uma gamificação involuntária que o nosso cérebro pratica? Gamificação é a aplicação de metodologias de jogos para motivar, engajar e facilitar comportamentos das pessoas em situações reais e, nesse caso, é um grande alívio durante o processo criativo.

Fonte: Showmetech

Pense agora que o seu cérebro é na verdade o Pac-Man e, todo o conteúdo que você consome, seja textual ou visual, são os pontinhos que ele come. É assim que funciona o processo criativo, precisamos de bagagem para que ele exista. Dessa forma, os fantasmas do bloqueio criativo permanecem distantes.

Nós recebemos milhares de informações todos os dias que nos geram lembranças e sensações que guardamos sem perceber e reproduzimos involuntariamente. Se consumimos, por exemplo, em nossas redes sociais um determinado tipo de padrão, seja de beleza ou comportamento, queremos copiar e fazer parte dele. Se escutamos músicas em nossas plataformas de certo gênero, vamos também inconscientemente querer reproduzir o que as canções dizem naquela determinada situação. E é assim no nosso cotidiano, essa indução é diretamente aplicada em diversas áreas das nossas vidas.

O que precisamos então fazer durante nosso processo criativo é intensificar essas bagagens e trazê-las à tona, para que as ideias comecem a fluir em nossas cabeças.

A primeira etapa para criar uma bagagem é a apuração. Ainda não tem ideias? Jogue o tema no Google e pesquise. Saiba o que o mundo está dizendo sobre aquilo agora. Leia comentários, assista vídeos, confira sobre o tema em livros e revistas. Pesquise, vá em fóruns e descubra diferentes pontos de vista, mergulhe dentro do assunto que você quer dominar. Estamos no século XXI e o conhecimento está na palma das nossas mãos, aproveite. Durante essa pesquisa diversas ideias vão surgir, vários direcionamentos que você nunca imaginou que seguiria vão se materializar na sua frente. O que antes era uma árvore seca vai, aos poucos, se tornando uma árvore ramificada.

O segundo passo é a busca por referências. Pesquisou? Já sabe o que você quer? Agora entenda o que já é feito sobre aquilo. Visite lugares próprios para o assunto. Quer buscar referenciais visuais? Acesse o Behance. Referências textuais? Veja o Puta Sacada. Referências de projetos científicos? Vá em sites de instituição de ensino, ou pesquise no google acadêmico. Deseja referências de textos? Confira o blog da Facto. O importante é ir direto à fonte. Busque quem domina o assunto, vá direto a ele e veja o que faz. Inspire-se, identifique o que você acha legal, aproveite o que já temos.

Não é para copiar, é para se inspirar. Um detalhe indiscutível sobre inspiração é que é apenas inspiração. É necessário ressaltar que tudo o que você verá durante esses processos deve servir apenas como uma luz de direcionamento.

Para não correr o risco de plagiar nada, aqui vai uma sugestão: ao buscar referências, anote tudo o que você gosta no que vê, não analise a composição como um todo, mas partes dela. Finja que você está admirando um quadro, o que te faz gostar tanto dele? Anote! ‘’Eu amo a forma que a tinta escorre do quadro X’’. Depois vá em busca de outra tela, o que te faz gostar tanto dela? São os traços? Registre isso em suas anotações.

No final, você terá diversas referências de diferentes fontes e, assim, poderá criar de forma mais original a sua. Agora, é só aplicar isso no que for preciso, uma grande mistura de referências é o que tornará a sua composição original. Precisa iniciar um projeto? O que te faz gostar tanto dos outros já existentes? Lembre-se: sempre pontos específicos, nunca a peça inteira.

Pause no jogo: o clique perfeito para vencer

Às vezes, o que você precisa é de uma pausa, um descanso, um respiro. Máquinas de jogos sobrecarregadas sempre travam, e é preciso reiniciar. Por isso, simplesmente durma, converse com amigos, ria de memes, faça o que se sentir confortável, mas longe do seu projeto. É de suma importância, não só para que a sua máquina volte a funcionar e a sua criatividade volte a surgir, mas também para que você volte a prestar atenção.

Já notou que, quando você fica muito tempo em uma determinada atividade, o seu nível crítico diante daquilo começa a sumir? O nosso cérebro já está focado há muito tempo em um único assunto, ele reproduziu muitas vezes a mesma coisa que não consegue mais enxergar algo novo e nem opinar sobre o que está ali há muito tempo. Por isso, a pausa é necessária para que você continue enxergando o que está fazendo de forma clara.

Enfrente o chefão

Certo, mas o que fazer para driblar o bloqueio criativo? Agora que você está no nível final, enfrentar esse obstáculo se torna bem mais fácil ao utilizar técnicas, as quais facilitam o processo de criação de conteúdo. O brainstorming é uma delas, ou se preferir, chuva de ideias. Essa etapa criativa tem se tornado uma grande aliada quando um criador se sente perdido, sem saber por onde começar ou o que fazer em seu trabalho.

Todo jardim precisa de chuva para florir, isso é fato. Ao criar algo, não é diferente: o brainstorming possibilita que todas as ideias fluam de forma mais natural. Nesse toró de ideias são realizados registros no papel, celular, computador, o que você preferir e, logo, surgem bons frutos para serem planejados.

Esse é o momento de colocar os primeiros pensamentos que vêm à mente sobre o tópico em questão, lembrando-se sempre que essa fase é livre de julgamentos. Muitas vezes, ideias que são consideradas bobagem se tornam o pivô de obras magníficas e, além do mais, para que hajam idealizações boas, as ruins devem ser colocadas para fora.

Outra técnica que funciona bastante é a restrição. Acredite ou não, às vezes o que te impede de ter ideias é justamente o excesso de materiais, ou sua própria acomodação de fazer algo apenas de um modo. A partir do momento em que você se desafia a, por exemplo, fazer uma arte utilizando só uma cor e determinada forma geométrica, automaticamente estará desafiando o seu cérebro a pensar de forma diferente. Isso pode levar ao triunfo, como diz o livro Roube como um artista, de Austin Kleon: “No fim das contas, criatividade não é apenas o que escolhemos usar, são as coisas que escolhemos deixar de fora”.

Se você ainda tem dúvidas de como criar, peça ajuda! Para seus amigos ou pessoas que têm mais contato com a temática escolhida. Além disso, percepções diferentes enriquecem uma abordagem.

Quer algo mais profissional e criativo para o seu negócio? A Facto pode te ajudar a criar!

1 visualização

Sobre nós

Funcionamento

Segunda a sexta

das 14h às 18h 

Venha nos visitar

UnB, Campus Darcy Ribeiro, ICC Norte, bloco A, térreo, FAC, sala AT-636, Asa Norte, Brasília.

linkedin (1).png
behance.png
instagram (1).png