#Humor

Rir é bom, né? Contar uma piada aqui, fazer uma gracinha ali, liberar endorfina, relaxar, descontrair. O riso promove a interação, aproxima as pessoas umas das outras, desestressa e alivia as tensões do dia a dia. É, de fato, rir é bom. Nada como ser e estar rodeado de pessoas bem-humoradas, leves, que sabem se divertir. Mas até que ponto um comentário descontraído, uma zoeira e uma piada são saudáveis, ou até mesmo, admissíveis?

Certamente você já deve ter ouvido e, até mesmo, falado a seguinte frase: perco o amigo, mas não perco a piada. O que isso quer dizer? Vale tudo em nome de uma piada? Será que é realmente interessante desconsiderar certos fatores apenas em troca de umas risadas?

A prática de fazer piadas ganhou tamanha proporção que existem profissionais, trabalhando única e exclusivamente em prol disso. São os chamados humoristas. Gente que leva o riso a sério. Eles surgem, principalmente, nos stand ups, shows de humor quando os comediantes se apresentam para uma plateia, contando piadas baseadas em observações do dia a dia. Não há texto ensaiado. É uma espécie de monólogo com o objetivo de fazer rir.

Aqui no Brasil, existem humoristas de stand up bastante conhecidos e renomados. Como é o caso de Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Fábio Porchat, Paulo Gustavo, Marcela Leal, Paulo Serra e Victor Sarro. Alguns desses nomes já foram, inclusive, protagonistas de polêmicas por exagerarem em suas falas. Rafinha Bastos e o caso da piada com estupro; Danilo Gentili sexualizando a maior doadora de leite materno do Brasil, Michele Rafaela Maximino, são alguns exemplos.

Esses comediantes que mantêm o hábito de fazer piadas com base no mau gosto, ridicularizando mulheres, negros, homossexuais, pessoas de baixa renda, tiram sarro das condições físicas ou mentais de alguém, costumam se colocar como os praticantes do humor politicamente incorreto. É o humor que ataca, cruel, preconceituoso, truculento e violento.

De acordo com o cartunista André Dahmer, no documentário O Riso Dos Outros, “O ataque as minorias é uma regra do humor”. É muito mais fácil dialogar e reforçar algo já pré-estabelecido na sociedade, o senso comum e preconceitos, do que se reinventar e desconstruir. O humor possui fórmulas, e elas estão pautadas em estereótipos. Porém, esse é o jeito mais baixo de se fazer piadas.

Engana-se quem pensa que zoeira não tem limite. A partir do momento que alguém faz um recorte de uma característica de outra pessoa para fazer piada, e essa característica é ainda um fator de opressão, encontra-se aí o limite. A liberdade de expressão de um indivíduo termina quando a do outro começa. Cada um tem o direito de fazer a piada que quiser, mas também deve estar aberto a ser contestado, criticado e arcar com as responsabilidades de suas palavras.

Existe um fator que muitos humoristas desconsideram: a responsabilidade social. Quando você se torna uma pessoa pública, do povo, com grande poder de influência, o mínimo que você tem que ser é responsável. É claro, fica a critério de cada um usar o poder para o bem ou para o mal. Mas se uma pessoa tem a oportunidade de quebrar certos pensamentos conservadores, preconceitos e estereótipos, e, ao invés de fazê-lo, prefere mantê-los, então ela é apenas mais uma babaca sem empatia.

O problema disso tudo também é que essas práticas não se restringem apenas ao universo do humor como profissão. Elas se expandem para a sociedade dentro dos pequenos grupos, como famílias, amigos, faculdade e trabalho. Tem-se o reflexo do divertimento irresponsável. Os mais ousados, os engraçadinhos, os palhaços da galera, começam a considerar a ofensa como piada. É curioso porque alguém próximo deveria facilmente saber o ponto do limite, mas em nome do humor faz piada de mau gosto com o “amigo”.

Não, nem tudo é uma piada. Não, não foi só brincadeira. Repense, reveja e refaça seu humor. Não é à toa quando dizem: Toda brincadeira tem um fundo de verdade. Lembre-se: dá para saber muito de uma pessoa só observando do que ela ri.

Texto por Ester Cezar Arte por Gustavo Costa

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