As novas princesas: fortes e reais

A sociedade está em constante mudança com o passar do tempo. Da mesma maneira, as produções cinematográficas devem se adaptar às transformações, para não se tornarem obsoletas e, assim, se moldarem à cultura vigente na época. Um exemplo disso são os contos de fadas da Disney, onde as adaptações no roteiro e no perfil das personagens se destacam. Tudo isso para adequar a produção às crenças, aos costumes e aos valores da sociedade em que está inserida.

Branca de Neve e os Sete Anões, por exemplo, é um filme clássico da Disney, em que a protagonista é pura e inocente. Além disso, a personagem principal é resgatada pelo príncipe, fato recorrente nas produções mais antigas. Porém, o filme é de 1937 e, desde essa época, muita coisa mudou no mundo: ocorreram a Segunda Guerra Mundial, a Terceira Revolução Industrial, a Guerra Fria, uma maior independência e valorização da mulher no mercado de trabalho, além da representatividade do movimento feminista na década de 60.

Todas essas questões refletem a necessidade de mudança e de adaptação dos filmes à realidade. Com isso, há a alteração no perfil das princesas atuais. Essas, a fim de despertar a atenção do público infantil e adulto, correlacionam a fantasia, a realidade e a proximidade com os tempos atuais. Não é difícil gostar de histórias sobre a realeza, afinal, elas são atrativas, trazem leveza à rotina maçante e divertem o público, sem deixar ensinamentos de lado. Porém, o faz de conta precisa, cada vez mais, de uma parcela de verdade.

A produção Valente (2012), também da Disney, é um grande exemplo dessa mudança: a personagem Merida é bem diferente das princesas que estamos acostumados a assistir no cinema. Ela é moleca, sabe utilizar o arco e flecha e, principalmente, não deseja ter um príncipe, nem se apaixonar por nenhum de seus pretendentes. No filme, a garota opta por lutar pela própria mão em casamento e deseja governar o reino sozinha no futuro. A história de Merida é reflexão da autonomia e proatividade cada vez maiores que as mulheres buscam alcançar em um mundo ainda repleto de estereótipos de gênero.

No filme Moana – Um Mar de Aventuras (2016), a protagonista é guardiã de uma ilha e mostra-se independente, ao tentar salvar, sozinha, o próprio lar. Diferente das outras princesas, ela não faz o perfil típico mostrado em filmes anteriores: Moana é da Polinésia, o que reflete no tom de pele mais escuro, não usa longos vestidos cheios de adereços e nem possui envolvimento amoroso com um príncipe.

Além disso, Moana foge dos padrões de beleza normalmente impostos às personagens: altas, magras, com cabelos lisos, geralmente, juntos em um penteado. Ela, em contrapartida, é mais cheinha que o comum, com os cabelos negros e cacheados. Esse perfil demonstra a cautela com a sociedade, que é diversa em tamanhos, cores e formas. Uma princesa assim facilita a identificação de crianças e adultos que não se encaixam no modelo comum de realeza.

O filme foi um sucesso entre o público e arrecadou aproximadamente 643 milhões de dólares em bilheterias. Talvez pelas ilustrações de qualidade e pela trilha sonora divertida. Talvez pela história e por todos os personagens cativantes. Ou, provavelmente, por representar a atualidade, ao mostrar a visão da “princesa” que a sociedade precisa ter hoje: forte, independente e fora dos padrões antes impostos e considerados corretos.

Texto por Maria Antônia Arte por Carina Benedetti

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