Produtividade e saúde mental na pandemia: é possível conciliar?

Atualizado: 6 de ago. de 2021

Texto por Letícia Andrade

Arte por Ana Clara Araujo


Diante de uma crise sanitária mundial, as pessoas tiveram que se adaptar a novas formas de trabalho, de estudo e de lazer. Muito se fala de saúde mental e produtividade na pandemia, mas o que de fato podemos tirar de ensinamentos do último ano? O que é ser produtivo afinal?


Antes da pandemia


Uma pesquisa realizada pela Workfront em 2018 mostra que, antes da pandemia, o trabalho era cumprido somente durante o horário de expediente - 39% do tempo era usado de forma produtiva pelos funcionários da empresa. Isso evidencia como os modelos tradicionais de produção não são efetivos e que mais tempo de trabalho não é sinônimo de melhores entregas.



Em um mundo que avançava rápido demais, as mudanças e cobranças profissionais geravam grande desgaste pessoal em favor da carreira - necessidades médicas, tempo familiar, lazer, tudo isso tinha que ficar para depois. Em 2020, com o início do lockdown em várias partes do mundo, as pessoas se viram obrigadas a parar, as empresas tiveram que se reinventar e implementar novos modelos de produção, agora de forma remota.


Durante a quarentena


Essa flexibilização do trabalho gerou resultados positivos para as empresas. Um levantamento da Harvard Business Review evidenciou que o número de reuniões e atividades consideradas necessárias diminuiu em 2020, dando assim mais tempo aos trabalhadores para investirem em ações mais relevantes. Poder escolher a hora em que se trabalha, onde e como, com o foco em um objetivo final, permitiu que as pessoas dividissem melhor o tempo entre outras áreas da vida, aumentando assim a satisfação com o emprego, com as entregas e com os colegas - 41% dos profissionais ouvidos pelo DataSenado disseram que trabalhar de casa aumentou a produtividade, e um estudo feito pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, apontou que funcionários felizes são 12% mais produtivos que os demais.


Saúde mental


Todos esses dados apontam para um cenário favorável ao trabalho remoto a longo prazo, mas nem tudo são flores. Alguns desafios se mantêm, como, por exemplo, equilibrar a vida pessoal e profissional quando não há uma separação física entre ambas. Além disso, a cobrança por produtividade, a comparação com os outros, as incertezas sobre o futuro e a preocupação com a covid-19 propiciam o esgotamento mental.


A síndrome de burnout - estado de estresse crônico que gera exaustão física, emocional, falta de motivação e sentimentos de fracasso - é cada vez mais comum. Segundo a International Stress Management Association do Brasil (Isma), estima-se que 30% dos brasileiros sofrem com a doença.


FOMO - Fear of missing out


É cientificamente comprovado que as pessoas têm mais dificuldade de tomar decisões quando são apresentadas a muitas opções e, com tanto tempo nas mãos devido a quarentena, é comum que elas se percam nas possibilidades e acabem não fazendo nada. Porém, com as redes sociais, o acesso à vida alheia é facilitado, abrindo assim espaços para comparações.


Na pandemia a pressão para ocupar o tempo de maneira produtiva, experimentar coisas novas, fazer cursos, começar novos hábitos saudáveis e basicamente mudar de vida cresceu ainda mais, à medida que quem não se encontra num estado mental disposto a ser produtivo todo o tempo desenvolve uma nova insegurança - o medo de ficar por fora, fear of missing out (FOMO) em inglês.


Mas afinal o que é FOMO?


O FOMO é o medo de não estar aproveitando ao máximo - seja a vida, as oportunidades que surgem, ou o tempo extra agora disponível trabalhando de casa. A síndrome é caracterizada pela necessidade constante de se manter atualizado, de ver o que os outros estão fazendo, gerando sentimentos de ansiedade que impactam a vida cotidiana e a produtividade.


Mas, e daqui pra frente?


Podemos constatar que o primeiro passo para promover um equilíbrio entre o trabalho produtivo e uma vida pessoal saudável é focar nas pessoas. Uma empresa com uma cultura forte, focada em gestão de pessoas, que busca criar um ambiente mais acolhedor e colaborativo, com alinhamentos frequentes, transparência e comunicação efetiva entre equipes e líderes. Esse é o tipo de empresa destinada a prosperar em momentos de crise.


Também é importante ressaltar a autogestão e seu papel na vida cotidiana dos profissionais. É necessário que eles estabeleçam faixas horárias para iniciar e encerrar seus trabalhos, respeitando os tempos de descanso - uma pesquisa da Universidade de Illinois apontou que os profissionais que respeitavam esses limites eram mais produtivos que os que não o faziam. Além disso, é interessante a separação dos ambientes de casa usados para o trabalho e para o descanso.


Não sabemos como serão as formas de trabalho mais utilizadas no futuro - sejam os modelos híbridos que intercalam expediente nas empresas e em casa, sejam os exclusivamente presenciais ou totalmente remotos -, mas sabemos que a Facto se encontra em sua melhor versão, entregando os melhores resultados em comunicação de forma 100% remota, garantindo a saúde de seus membros e clientes neste momento tão delicado que vivemos.


Em momentos de transformação, uma boa comunicação faz a diferença. Conte conosco!



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