Celebridades virtuais e o Universo Transmídia

Fenômeno de personagens digitais que são sucesso no mundo real tem nome e embasamento teórico

Você conhece a cantora Hatsune Miku? E na banda Gorillaz, já ouviu falar? O que essas celebridades do universo da música têm em comum?

E se você descobrisse que, na verdade, não existem? Bom, agora complicou um pouco, né? É isso mesmo. Não existem, pelo menos não no nosso plano real. Ambas pertencem ao universo virtual e são personagens fictícios que conquistaram milhares de fãs pelo mundo todo.

A cantora Hatsune Miku é, nada mais, nada menos, a identidade de um software que modula e sintetiza a voz, chamado Vocaloid. Os vocaloids foram criados, inicialmente, em 2004, pela Yamaha Corporation, responsável por licenciar a tecnologia para empresas que queriam utilizá-la. Porém, só fizeram sucesso, realmente, em 2007, com Hatsune, a primeira vocaloid de uma segunda geração, da série CV (Character Vocal), desenvolvida pela empresa Crypton Future Media. Miku não é a única vocaloid, mas é a mais famosa; sua voz pertence originalmente à atriz japonesa Saki Fujita, que é sua provedora.

O sucesso da cantora expandiu-se com grande proporção, e, em 2011, ela foi garota propaganda da Toyota, aparecendo em uma série de comerciais; em 2012, promoveu o navegador Google Chrome no Japão e, em 2014, fez a abertura dos shows da cantora Lady Gaga; além disso, no mesmo ano, ocupou a 8ª colocação no ranking da revista Times, de personagens fictícios mais influentes em 2014 (http://time.com/3612615/influential-characters-2014/).

Alguns dos fatores contribuintes para o estouro de Hatsune foram o serviço de compartilhamento de vídeos e a construção do site piapro.jp, uma plataforma gratuita, que permite a postagem de vídeos criados pelos próprios usuários, proporcionando uma grande rede de interação, na qual, além de compartilhar as músicas com letras e melodias de sua autoria, é possível desenvolver o estilo, fazer ilustrações e criar dados de voz.

Assim como a Hatsune, outros fenômenos de celebridades virtuais fazem bastante sucesso, como a banda Gorillaz. Esta conquista cada vez mais fãs ao redor do mundo com suas músicas – uma mistura do hip hop com rock alternativo, trip hop e eletrônica. Ao contrário dos vocaloids, o grupo Gorillaz não é um software; é composto por personagens animados, criados em 1998 por Damon Albarn, vocalista e idealizador do Gorillaz, e Jamie Hewlett, cartunista e criador dos personagens da banda (2D – vocalista, Noodle- guitarrista solo, Murdoc- baixo e Russel- bateria).

A dinâmica da banda funciona da seguinte forma: o único membro fixo é o vocalista (2D), Damon Albarn; os outros membros alternam-se nos bastidores, mas sempre mantêm personagens, que são projetados nos shows por meio de hologramas. O Gorillaz possui um website oficial (www.gorillaz.com), no qual é possível encontrar todas as histórias dos membros e também há a possibilidade de interagir com o mundo ficcional da banda.

Com público aclamado e várias turnês pelo mundo, o Gorillaz já fez grandes apresentações ao lado de artistas como Madonna, na premiação do Grammy em 2006.

Além de se tratarem de celebridades virtuais, o que mais esses dois grandes fenômenos têm em comum? A resposta é: ambos pertencem ao universo transmídia. Este foi um conceito desenvolvido por Henry Jenkins em 2006 e, basicamente, significa a dispersão de uma narrativa em diferentes meios e plataformas, de modo a se complementarem. Porém, são independentes entre si e, mesmo separadas, constroem sentido.

Hatsune Miku, além de fazer sucesso com a voz, veicula propagandas, está presente em jogos disponíveis para PlayStation 3, por exemplo, e é acessível por meio do YouTube, o que dá aos fãs grande capacidade de compartilhamento; é possível, ainda, encontrar bonecas e acessórios que fazem jus à personagem. A história de Miku existe independentemente de sua presença em tantas plataformas midiáticas, e o que foi desenvolvido nelas não necessita de vínculo de uma com a outra para sustentar-se.

Com o Gorillaz, acontece o mesmo, já que ele está presente em diversas plataformas e conta com a contribuição direta dos fãs em compartilhamentos e divulgações. Esse fenômeno, então, adentra o universo transmidiático.

Graças ao avanço da tecnologia, a interação e a proximidade com os ídolos tornam-se possíveis. Nesse ponto, ter cuidado é essencial para não haver restrição apenas às relações virtuais e para não esquecer os vínculos verdadeiramente humanos, os que, de fato, importam!

Texto por Ester Cezar Arte por Andreza Aragão

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