As caras do jornalismo literário no Brasil

Por Beatriz Queiroz

           Muitas pessoas não saberiam dizer se é jornalismo ou literatura, mas é um pouco dos dois. A linha tênue entre os dois gêneros une ficção, subjetividade e profundidade à apuração bem feita e vontade de contar histórias mais completas. O resultado dessa união é o jornalismo literário.

            O jornalismo literário brasileiro não tem início definido. Alguns estudiosos acreditam que o precursor foi Euclides da Cunha, com a publicação do livro “Os Sertões”. A obra é baseada em reportagens, as quais inicialmente foram publicadas no jornal O Estado de São Paulo.


“Os Sertões”, de Euclides da Cunha, publicado em 1902


Isso também se deve a prática comum entre os escritores no início do século passado, os quais costumavam assumir o papel de jornalista. Muitos livros foram escritos com base em histórias reais, apurações e textos jornalísticos, o que reforça a premissa de que Euclides da Cunha tenha sido o primeiro a representar o gênero no Brasil.

Outros consideram a revista Realidade o berço do jornalismo literário. Doutora em História Social, Letícia Nunes de Moraes aponta que “as reportagens longas e o texto cuidadosamente escrito fizeram de Realidade um marco na história da imprensa brasileira.” Além disso, mostram interesse em afirmar diálogo com o público.

A publicação, que durou dez anos, buscava revolucionar a produção de revistas e contava com reportagens ousadas e inovadoras, produzidas por grandes nomes do jornalismo, como José Hamilton Ribeiro, Roberto Freire e José Carlos Marão. Segundo o professor e pesquisador em jornalismo literário Paulo Paniago, uma das influências diretas na revista foi o New Journalism – corrente norte-americana que ganhou força na década de 1960, cuja principal característica é a mistura das narrativas jornalística e literária.


Capas da revista “Piauí”


Hoje, um forte exemplo do jornalismo literário brasileiro é a revista Piauí. De acordo com um texto escrito por alunos da Universidade Federal de Ouro Preto para o blog CÍTRICO, “o maior diferencial da revista está em sua narrativa. As matérias não seguem as normas utilizadas no jornalismo tradicional e o discurso nelas utilizado carrega marcas irônicas, poéticas e literárias”.

Não se sabe, ao certo, quando e com quem o jornalismo literário chegou ao Brasil, porém é perceptível que ele ganha força com a influência e expansão do New Journalism. Além disso, diferentes vertentes que o gênero abarca, como crônicas e grandes reportagens, tem conquistado espaços em revistas, no jornalismo online e nos livros.

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